As Forças Armadas do Irã são hoje a única instituição com poder real para precipitar a queda do regime.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse estar “chocado com os relatos de violência e uso excessivo da força pelas autoridades iranianas contra manifestantes” e pediu moderação e o restabelecimento imediato das comunicações, enquanto os protestos entram em sua terceira semana.
— 11 de janeiro de 2026. Crédito: Nações Unidas
NOVA YORK, 15 de janeiro (IPS) — Como nunca antes, o regime islâmico do Irã enfrenta uma revolta liderada por uma geração que perdeu o medo. Jovens e idosos, homens e mulheres, estudantes e trabalhadores tomam as ruas em todo o país.
O futuro do Irã pode depender agora de uma decisão crucial: se suas Forças Armadas agirão para salvar uma nação assolada pelo colapso econômico, pela corrupção e por décadas de repressão. Mulheres e meninas estão na linha de frente — sem véu, desafiando o clero que por tanto tempo controlou cada aspecto de suas vidas. Elas não pedem reformas; exigem liberdade, dignidade e o fim do autoritarismo.
O bloqueio da internet, a prisão de quase 17 mil manifestantes e a morte de ao menos 3 mil pessoas — incluindo crianças — não conseguiram silenciar o movimento. A repressão do regime tem sido implacável e devastadora, mas a população permanece firme, determinada a continuar sua luta.
Agora, porém, os iranianos precisam do apoio da mais poderosa força interna do país — e não de potências estrangeiras. As Forças Armadas iranianas são a única instituição com capacidade real de catalisar a queda do regime. Seu peso político e sua influência interna fazem dos militares o ator decisivo para uma mudança que só pode vir de dentro.
Todo oficial deveria se perguntar: como quero servir ao meu país?
Quero continuar apoiando um grupo de líderes ultrapassados que se escondem sob uma falsa piedade enquanto condenam o povo ao sofrimento?
Ou quero apoiar uma geração que busca oportunidades, liberdade e um futuro digno?
Quero me preparar eternamente para a guerra ou estender a mão à reconstrução de um país rico em talento humano e recursos naturais, capaz de se tornar uma nação moderna, democrática e próspera?
A resposta deveria ser evidente. Cabe às Forças Armadas estabelecer um governo de transição e abrir caminho para um regime legítimo, eleito livremente pelo povo iraniano.
A ideia de restaurar a monarquia com o retorno de Reza Pahlavi é o oposto do que o país precisa. O Irã não carece de um novo rei, mas de uma verdadeira democracia.
Em última instância, o destino do Irã pode depender de uma única escolha: se seus militares terão a coragem de ajudar a remodelar o futuro da nação.
Dr. Alon Ben-Meir é professor aposentado de Relações Internacionais e ex-docente do Centro de Assuntos Globais da NYU.








